PlotCast Drops #13 – Os problemas de Os Últimos Jedi

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Antes a coragem de buscar algo grandioso do que o conforto de atingir somente o conhecido.

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Eu sou o Alexandre Kirst e hoje seguimos falando sobre Star Wars Episódio VIII: Os Últimos Jedi! Diferentemente do programa passado, este aqui está repleto de spoilers! Então, cuidado: apenas siga se já tiver assistido ao filme. Como comentei no podcast passado, este Episódio VIII tem muitos altos e baixos. Muitos mesmo. Por isso, para evitar um programa muito longo e correr o risco de perder a essência do Drops, decidi repartir minha crítica em duas partes. Neste capítulo 13 do PlotCast Drops o assunto são os problemas de Os Últimos Jedi. No próximo, vamos conversar sobre os pontos positivos do filme. Combinado?

Antes, quero reiterar aqui que o Drops é tanto um podcast quanto um texto. Basta acessar plots.com.br para conferir todo o nosso conteúdo. Além disso, assine nosso feed no iTunes ou no seu agregador preferido de podcasts. Você ainda pode nos ouvir diretamente pelo soundcloud.com/plotcast. Certo? Então vamos falar sobre Os Últimos Jedi.

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As respostas de Os Últimos Jedi.

Antes de fazer essa minha crítica aqui no PlotCast eu precisava rever Os Últimos Jedi. Era uma necessidade. Queria comprovar algumas impressões que tive na primeira ida ao cinema ou então mudar algumas ideias estabelecidas pela sessão anterior. Posso dizer que assistir ao filme pela segunda vez é uma experiência que melhora a história. E o meu palpite para isso acontecer é uma coisa chamada expectativa.

É impossível ir ao cinema ver qualquer filme inédito de Star Wars sem estar completamente tomado ou tomada pela expectativa. O hype é muito grande. O enredo de O Despertar da Força deixou um gancho enorme. A marca Star Wars, que já era uma das gigantes do entretenimento, se tornou ainda maior. Dois anos de espera para descobrir o que aconteceria no encontro da menina Rey com o lendário Luke Skywalker. É, o problema pode ter sido a expectativa.

Expectativa, expectativa.

O meu sentimento é que Rian Johnson, diretor e roteirista de Os Últimos Jedi, quer surpreender em todos os aspectos. O Episódio VII, O Despertar da Força, nos deixou muitas perguntas. Algo normal, pois é o primeiro ato de uma trilogia. Talvez a maior questão de todas era: quem são os pais da Rey? Outra bem importante para os fãs dizia respeito à origem de Snoke. Quem era esse sujeito visto somente em um holograma gigante? As previsões era de que se tratava de um indivíduo muito poderoso, pois Snoke conseguiu reestruturar os destroços do Império de Palpatine, transformá-los na Primeira Ordem e retomar o controle da Galáxia.

Outras questões eram muito claras e diziam respeito somente ao desenrolar do enredo. Afinal, como Luke reagiria à morte do antigo companheiro, Han Solo? O que faria sobre a queda da República? Como responderia ao chamado de Rey, ao ver estendido em sua direção o primeiro sabre de luz que empunhou na vida?

Essas são algumas das principais questões que viveram no nosso imaginário pelos últimos dois anos. Nessa busca de surpreender em todas as respostas, Rian Johnson é perfeito. Ele é super bem sucedido. Nenhuma teoria de internet chegou perto do que vimos no cinema. Ponto para o diretor. No fundo, ninguém quer ver um filme totalmente previsível, certo? Mas o que reflito a partir de agora é o contraponto disso: será que Johnson não foi fundo demais?

Este é Luke Skywalker?

Vamos começar com Luke Skywalker. A primeira cena de Luke fez com que eu já iniciasse o filme muito receoso. Como assim ele joga o sabre de luz pra trás? Como Luke tripudia do passado dessa forma? Sim, essa foi minha primeira impressão. Ao assistir a segunda vez, confesso que a cena desceu melhor. Ainda assim, me incomoda. Entendo que Luke não poderia ser igual a qualquer outro mestre que já vimos às dezenas no universo de Star Wars. Ele precisava apresentar algo diferente. Concordo, concordo.

Mas tratar o lendário sabre de luz com tamanho desdém? Gente, não é qualquer sabre. É O sabre. O primeiro de todos. Aquele é o sabre criado por Anakin Skywalker. É o sabre de toda a formação de Anakin para Darth Vader. É o sabre da batalha derradeira de Anakin contra Obi-Wan. É o sabre que Obi-Wan guarda à espera do sujeito que poderia trazer equilíbrio à Força. Ou seja, é o primeiro sabre do próprio Luke. A última vez que Luke Skywalker teve aquele sabre nas mãos foi em uma das grandes cenas da história do cinema. Foi a revelação da paternidade de Vader. O início do conflito de Luke com o lado sombrio. A última vez que Luke teve o sabre nas mãos, ele perdeu uma delas no duelo com o pai.

Essas mãos agora jogam fora toda a história? Como fã de Star Wars, me senti desrespeitado. Entendo que pode ser birra de fã. Essa atitude de Luke é bem importante para a construção do personagem nessa nova trilogia, algo que falarei no PlotCast seguinte. Ainda assim, acho que a cena do sabre poderia ter sido resolvida de outro jeito. De uma forma mais respeitosa, por assim dizer.

A pior criação de Luke Skywalker.

Outro ponto muito polêmico é o suposto ataque de Luke a Ben Solo. Como nos é apresentado no filme, vemos três perspectivas. Algo inédito em Star Wars e que traz profundidade à história. Muito legal mesmo. Mas vamos nos ater ao enredo em si. Luke é o cara que resistiu à sedução do lado sombrio. O jedi que não sucumbiu aos desejos de Darth Vader e Darth Sidious em pessoa. A lenda que fez Vader voltar a ser Anakin. Esse é o sujeito que, mesmo que por impulso, empunha um sabre de luz contra o sobrinho que está dormindo? O quê? Sério?

Estamos falando do filho de Han Solo com sua irmã, Leia! Estamos falando de uma criança! Mesmo que Ben já estivesse dominado pelo lado sombrio, que tipo de sujeito cogita atacar o próprio sobrinho totalmente desarmado? Sim, sim, é assim que temos toda a criação do cenário que se estabelece ainda em O Despertar da Força. Luke está envergonhado e some na Galáxia; Ben Solo vira Kylo Ren; Han e Leia caem em desgraça. Tudo bem. Foi o evento que desencadeou tudo que vimos na nova trilogia. Mas me parece uma atitude cruel demais para o homem que trouxe equilíbrio à Força cerca de 30 anos atrás.

As trapalhadas de Finn e Rose.

Bom, chega de falar dos problemas de Luke. Vamos mudar o tópico. O que foi aquele arco do Finn? Criou uma barriga desnecessária na história. O filme poderia ter, tranquilamente, uns bons minutos a menos. A missão de Finn e Rose não dá certo. Ok. Os mocinhos não precisam, e nem devem, ganhar sempre. Ao mesmo tempo, o que ela acrescenta ao filme? Na minha análise, três coisas. A batalha de Finn com a Capitã Phasma; as crianças escravas de Canto Bight, que reaparecem na cena final do filme; e a informação vendida pelo personagem de Benicio Del Toro à Primeira Ordem de que os Rebeldes estavam em fuga e se dirigiam a outro planeta.

Se tirarmos esses três aspectos da história, o filme continua sendo o mesmo. Foram colocados muito tempo e energia em um arco narrativo confuso. A ânsia de querer apresentar algo diferente, como a ideia de que tanto Primeira Ordem quanto Rebeldes financiam a indústria bélica, deixou o público perdido e desinteressado. Acho legal o conceito de que os bons também fazem coisas ruins. Mas Rogue One já havia nos trazido isso. E de modo muito mais rico.

Entretanto esse é um conceito que funciona no mundo real. Na galáxia distante de Star Wars me parece forçado. Quer um exemplo? Se o mesmo comerciante de naves negocia com Primeira Ordem e Rebeldes, por que os dois lados tem equipamentos diferentes? Por que os rebeldes não compram AT-ATs ou Tie Fighters? Por que os Rebeldes não compram naves da Primeira Ordem com o intuito de se camuflar nas barreiras inimigas? Por que não fazem isso para espionar as bases inimigas? Enfim, os questionamentos seguem e não vejo nada que corrobore essa ideia dentro da trama, além de um posicionamento político e social que conversa com o mundo real, não com o ficcional.

Os problemas com os vilões.

Seguindo nosso papo, a perseguição da Primeira Ordem contra os Rebeldes é uma trapalhada só. As explicações para os comandados de Snoke não atacarem as poucas naves dos inimigos são fracas. O contingente da Primeira Ordem era muito maior. Um punhado de esquadrões do General Hux faria o serviço e seria o fim dos Rebeldes. Claro, seria o fim dessa trilogia de Star Wars também. E suspeito que isso é algo que não deveria acontecer. Mas as circunstâncias que desenrolam as ações têm motivos banais e rasos.

Por falar em rasos, vamos falar dos vilões? Como comentei em um PlotCast Drops anterior, este seria o filme de evolução de Kylo Ren. Ele assumiu de vez o papel de vilão, o que é ótimo para a história. Mas e Snoke? E Phasma? Totalmente subaproveitados. Snoke prometia muito. Como já citei, foi o sujeito que reestruturou o antigo Império. Dominou a Galáxia. Eu queria ver mais dele. Não precisávamos saber de todo o seu passado, mas algumas informações seriam bem-vindas. Mais momentos de Snoke agregariam muito a Star Wars.

Phasma, por sua vez, está fadada ao destino de Boba Fett. Um personagem com um design incrível, mas que não se justifica na história. Tem pouco tempo de tela e não se destaca em momento algum. É batida pelo antigo faxineiro da Primeira Ordem. Isso que é competência de uma capitã que tem sua armadura constituída de metal de fabricação de naves. Ou seja, Phasma é uma decepção total. Assim como Snoke, merecia mais. O desenvolvimento dos vilões deixa muito a desejar.

Sobre coragem e conforto.

Dito tudo isso, acho Star Wars Os Últimos Jedi um grande filme. Sério! No próximo PlotCast falo mais sobre isso. O fato de eu ter gostado do filme não limita minha visão sobre os deslizes da produção que comentei aqui. Tem muitos problemas. Mas, no final das contas, a mensagem que passa é muito positiva e tem muitas ideias que valem a pena serem discutidas. A minha opinião é que o ímpeto de Rian Johnson em marcar seu nome na história do cinema fez com que Os Últimos Jedi ficasse desconexo de O Despertar da Força. Mas antes a coragem de buscar algo grandioso do que o conforto de atingir somente o conhecido.

Daqui a dois anos o episódio IX vem aí. Que a Força esteja com JJ Abrams. E, claro, com todos nós.

Considerações finais

Muito obrigado a você que me acompanhou no PlotCast Drops! Além de produzir conteúdo para o Plots eu também sou escritor e publiquei meu primeiro livro em formato ebook na Amazon. Trata-se de Cronolapso, o apocalipse do tempo. Uma história que pensa o fim do mundo de uma maneira bem peculiar. Você pode saber mais sobre o Cronolapso em www.cronolapso.com.br.

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TEXTO, NARRAÇÃO E EDIÇÃO: Alexandre Kirst

TRILHA SONORA: John Williams – Main Title and Escape, From “Star Wars: The Last Jedi”

TRILHA SONORA: Ross Bugden – Fall (licensed under a ‘Creative Commons Attribution 4.0 International License) – www.youtube.com/channel/UCQKGLOK2FqmVgVwYferltKQ

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Alexandre Kirst
Alexandre Kirst
Um publicitário apaixonado pela intensidade das palavras.